3/27/2011

Um dia Triste que ficará esquecido.


Amigos torcedores(as)

Os últimos dias têm trazido para a pauta de todos os Sorocabanos uma intensa e fervilhosa discussão sobre episódios que abarcam nosso querido São Bento de Sorocaba e sua participação no campeonato paulista da A2. O clube que tem uma das mais importantes bandeiras do desporto Paulista quase centenária de importância e de credibilidade institucional envolve a paixão de uma cidade inteira... Esse sentimento que segundo sua codificação faz imaginar que aqueles que o carregam têm super poderes, onde nada pode abalar, ou ferir... Tem força de deixar que o medo se esconda e que a aparente coragem se manifeste... Mostra que somos capazes de tudo sem nos amedrontar com a opinião dos outros, anaboliza forças para qualquer embate, torna a emoção do momento em uma posição particular dirigida que é só nossa que precisa ser defendida a todo o custo.Acho que todos um dia já ouviram dizer que: “Futebol, Religião e Política não se discutem”mais isso é praticamente impossível. Mesmo não tendo sido inventado por nós o futebol meus amigos é com certeza algo que esta no DNA de todos os brasileiros, quando os ingleses imaginaram esse esporte, tenho certeza que não tinham a idéia de que estavam criando o maior entretenimento da atualidade e um dos mais controversos em sentimentos também. Quando envolvidos por esta paixão chamada futebol temos testada nossa saúde cardíaca e emocional ao extremo emtoda a movimentação que ela proporciona e também de tudo a que ela co-relaciona, uma verdadeira montanha russa de sentimentos difusos. Torcedores nas arquibancadas do CIC armam as equipes, criam táticas e estratégias, viram todos dirigentes, técnicos, preparadores, médicos enfim se tornam detentores de todos os cargos em um time de futebol profissional, no caso em questão nosso São Bento. O futebol é capaz de despertar emoções parecidas em toda sorte de pessoas, independente de gênero, etnia, credo e classe social. Inclusive com a tradicional tendência ao exagero e à euforia desenfreada do antagonismo quando o time vai bem ou não. Agora imagine como lidar com isso na condição em que nosso time se encontra hoje na zona de rebaixamento combinadas com toda a pressão por resultados aliada a falta de elementos básicos que não preciso nem elencar quais são, pois o torcedor do azulão sabe do que falo. É preciso primeiro conhecer os bastidores para falar qualquer coisa que não seja de apoio ao clube, é necessário saber o quanto é difícil tocar um time quase sem apoio. Assim entendo que os exageros não se justificam e são condenáveis, dificuldades enfrentadas não são desculpas e muito menos escape em discurso para encobertar qualquer ato falho. Mesmo sendo difícil, a sensatez e o equilíbrio têm que ser protagonista na interlocução com qualquer que seja a pessoa em tudo que se trata sobre nosso clube. Felizmente nem tudo é turvo no horizonte de nosso clube a de se levar em conta e potencializar o desdobramento positivo com a consideração do erro assumido para correção futura. A coragem e hombridade do Presidente Luis Manenti em reconhecer o que fez e tornar publica a condição de buscar ajuda para um equilíbrio maior no trato as questões que envolvem sua conduta quanto à pressão que sofre, é digna de aplauso. Para uma figura publica como a dele Presidente de um clube dos mais tradicionais do estado, mostra a todos o comprometimento de assumir o ônus sem se esconder das responsabilidades que a função lhe atribui, pois maior que qualquer cargo é a instituição do EC São Bento. Tal atitude mostra grandeza e respeito não só a bandeira da instituição mais também o compromisso que ao cargo que lhe foi atribuído. Mesmo isso lhe custando muito em todos os sentidos, vivemos um momento difícil onde as forças quase se mínguam diante de todos os problemas que temos passado ao longo do campeonato mais uma coisa é certa o São Bento é grande em paixão, respeito e fidelidade as coisas vão mudar e todo o registro de dificuldades vai ficar na historia para ser lembrado no futuro prospero que ainda vamos ter, pois que tem passado, tem futuro, é o nosso será de vitorias .

Serginho Cardoso

EC São Bento

3/26/2011

Buscam conflitos que não existem entre os dois, talvez na esperança de levar Dilma a trilhar caminhos que Lula não seguiu, sempre favoráveis ao modelo por eles defendido, de aumentar o poder da iniciativa privada em detrimento do poder do Estado.Conseguiram algum sucesso, mesmo inócuo, nas diferenças de concepção na política externa, apenas um ensaio geral para levar a presidente a mergulhar nas brumas do neoliberalismo ultrapassado. Festejaram a redução nos gastos públicos, de resto uma necessidade para qualquer ideologia, mas apenas como preliminar para diminuírem a presença do governo na economia. Vão quebrar a cara.As mais variadas acrobacias têm sido apresentadas pelas elites financeiras e seus porta-vozes na imprensa para tentar demonstrar que o Lula era uma coisa e Dilma, outra coisa. Estão certíssimos, mas a malandragem vem em seguida, quando procuram estabelecer o confronto entre o antecessor e a sucessora. Buscam conflitos que não existem entre os dois, talvez na esperança de levar Dilma a trilhar caminhos que Lula não seguiu, sempre favoráveis ao modelo por eles defendido, de aumentar o poder da iniciativa privada em detrimento do poder do Estado.

Pelo jeito, Dilma está prevenida, tanto diante da tentativa de intrigá-la com o Lula quanto com a ilusão de fazê-la retroceder aos tempos de Fernando Henrique e companhia. Foi por isso que Henrique Meirelles limpou suas gavetas no Banco Central, vestindo meias e chuteiras para cuidar da Copa do Mundo de 2014.De vez em quando, é bom dar um freio de arrumação nas fantasias das elites financeiras. Um deles está para acontecer. Ainda neste mês, a presidente irá a Portugal exclusivamente para prestigiar as homenagens prestadas a Lula, na Universidade de Coimbra e na Assembleia Nacional, assim como continuará diminuindo a influência das agências reguladoras e insistindo em enquadrar nos limites da Petrobras as atividades no Pré-Sal. Sem esquecer do controle na política de geração de energia e nos respectivos investimentos. Como, de lambuja, cortando as asas da Vale em tudo o que contrarie as diretrizes de governo. Quem sabe os bancos não percam por esperar, supondo-se a iminência de iniciativas capazes de reduzir seus lucros escandalosos?

3/22/2011

Dilma & Obama


Não foi um mero encontro entre estadistas a visita que o presidente dos Estados Unidos (EUA), Barack Obama, a Dilma Rousseff, no fim de semana. A reunião vai muito além do simples protocolo de boas relações diplomáticas. Além disso, não foi por acaso que o americano programou que o encontro ocorresse justamente agora, quando ambos os países precisam blindar suas moedas e ficar de olhos bem abertos para o desfecho que o tsunami japonês poderá contabilizar pelo planeta. Mais do que nunca, é preciso que os chefes de governo passem a somar, e não dividir, para consolidar seus próprios interesses na economia, que, mais uma vez, corre perigo.Cenário da tragédia, o Japão está colecionando, dia após dia, o vermelho também em sua economia. As montadoras, para citar apenas um exemplo, são a bola da vez. A indústria automobilística nipônica está acionando o painel de alarme, como a Toyota, que suspendeu a operação de suas 12 unidades em solo japonês. Já a Honda interrompeu toda a produção no país, a exemplo do que ocorre também com a Nissan. O clima é de ansiedade, como demonstrou Tom Byrne, executivo da Moody: “As consequências econômicas parecem ser maiores do que a gente esperava no início”.O que se constata é que a economia dos EUA, da China e da Europa pode sofrer abalos, como em um efeito dominó, a partir das perdas também econômicas presenciadas no Japão. A estimativa dos especialistas é que os japoneses terão de aplicar 15 trilhões de ienes (cerca de US$ 180 bilhões) na reconstrução de sua infraestrutura. Os prejuízos diretos e indiretos causados pelo terremoto e pelo tsunami podem superar em 50% os danos causados pelo tremor que destruiu a cidade de Kobe, em 1995, e representam 3% do PIB do país. Os japoneses, sempre de olhos fechados, estão abrindo-os diante da situação, que não é nada fácil, muito pelo contrário. Um exemplo bem claro disso foi sinalizado pelo Banco do Japão (BOJ) – o equivalente ao Banco Central brasileiro –, que ampliou na segunda-feira passada sua injeção de liquidez de urgência para o recorde de 15 trilhões de ienes (cerca de R$ 304 bilhões ou US$ 60 bilhões), a maior da história.

Dessa forma, com o crédito liberado, a expectativa é que o programa de compra de ativos, ao se injetar recursos no mercado diário, viabilize a manutenção do iene estável diante da moeda americana. A estimativa apontada pelos economistas é que a queda menor do PIB japonês (0,5%) poderia causar um impacto bem inferior ao que estava previsto. Já com relação à inflação global, prevalece um clima de otimismo em um cenário de curto prazo, com a desaceleração do crescimento econômico em nível mundial, o que contribuiria bastante para a redução da pressão inflacionária, como aconteceu com a queda dos preços do petróleo.Apesar da crença nacional de que Deus é brasileiro, a economia do Brasil já está pronta para contabilizar prejuízos depois do desastre no Japão, isso porque o terremoto asiático causará abalos e oscilações também por aqui. Um exemplo deve ser a perda na exportação de minérios, um insumo básico para a siderurgia, e o Brasil ocupa a segunda posição no ranking de exportação de aço no mundo. No ano passado, as exportações brasileiras para o Japão foram de US$ 7,140 bilhões, e foi justamente o minério de ferro que contribuiu para esse total, com 45,8%, o equivalente a US$ 3,271 bilhões, de acordo com informações registradas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

A geopolítica na América Latina tem um forte componente para a atual gestão mundial. Seguindo a cartilha das relações internacionais americanas, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, optou por visitar apenas o Brasil e o Chile. Países que ele pretende apresentar como exemplos de consolidação de transição democrática a ser seguidos pelos países árabes. Trata-se de uma estratégia da Casa Branca para cooptar os líderes do Oriente Médio e do Norte da África para despertar neles, finalmente, a necessidade de implantar regimes democráticos em seus governos, acabando com os déspotas, a exemplo do ditador da Líbia, Muammar Kadafi.A propósito da visita de Obama ao Brasil, Daniel Restrepo, conselheiro-adjunto de Segurança Nacional do governo americano para Assuntos Hemisféricos, fez um pronunciamento, no qual mencionou inclusive o passado de Dilma Rousseff na guerrilha, sua prisão e tortura pelo regime militar brasileiro nos anos de chumbo: “A presidente Rousseff representa, por si mesma, o sucesso de transição democrática brasileira”. Diante de tudo isso, o presidente Obama incluiu o assunto em sua agenda no encontro , porque está determinado a contribuir para que os ditadores não continuem ocupando tanto espaço no mundo árabe.

O ambiente para a conversa dos dois presidentes neste fim de semana foi pavimentado. O próprio chanceler brasileiro, Antônio Patriota, em encontro com sua colega americana, Hillary Clinton, afirmou que o governo brasileiro está disposto a cooperar no processo democrático nos países árabes, quando esteve com ela em fevereiro. O desembarque do presidente americano em Brasília poderá proporcionar a retomada das boas relações entre os dois países, depois do curto-circuito causado pelo voto brasileiro contrário às sanções ao Irã no Conselho de Segurança da ONU, em maio do ano passado.

No Palácio do Planalto e no Itamaraty, antes do desembarque do presidente americano, o clima era de cautela sobre os resultados da visita, como, por exemplo, o apoio americano ao Brasil em um órgão da ONU. A Casa Branca sinalizou que os EUA não se comprometeriam a dar esse apoio para assegurar a representação brasileira, como ocupar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. A Casa Branca argumentou que já tinha contribuído muito com o país para ocupar maior espaço na política global. Na quinta-feira, os americanos ressaltaram que o governo de Barack Obama fez pressão, com sucesso, para que países como o Brasil tivessem um papel maior nos assuntos econômicos internacionais. Segundo a Casa Branca, Obama também defendeu com determinação que o G-20 se tornasse o principal foro de cooperação.

Agora, resta ao país aguardar para saber o que trouxe o homem mais poderoso do mundo para uma visita ao Brasil.

3/21/2011

NEM TODA TECNOLOGIA DO MUNDO FOI CAPAZ DE PREVENIR OS ESTRAGOS E SALVAR AS VÍTIMAS DO TERREMOTO E DO TSUNAMI NO JAPÃO.

NEM TODA CIÊNCIA SERÁ SUFICIENTE PARA CONTER OS EFEITOS NOCIVOS DAS USINAS ATÔMICAS QUE EXPLODIRAM SOB OS IMPACTOS DA NATUREZA.

OS NÚMEROS DA TRAGÉDIA NO JAPÃO SÃO IMPACTANTES E DÃO A EXATA DIMENSÃO DAS PERDAS NO ARQUIPÉLAGO. PORÉM, A MAIOR AMEAÇA NÃO VEM DA NATUREZA, MAS DA USINA ATÔMICA DE FUKUSHIMA.

ENQUANTO OS 50 TÉCNICOS DE FUKUSHIMA TENTAM SALVAR MILHÕES DE VIDAS, OS DOIS PODEROSOS DO JAPÃO TENTAM FUGIR DA RAIA.

TECNOLOGIA X NATUREZA

Nem toda tecnologia do mundo foi capaz de prevenir os estragos e salvar as vítimas do terremoto e do tsunami no Japão. Nem toda ciência será suficiente para conter os efeitos nocivos das usinas atômicas que explodiram sob os impactos da natureza. Mais uma vez, os fenômenos naturais mostraram a sua força. Mais uma vez, o homem e todo o seu conhecimento mostraram sua fragilidade diante dos seus próprios experimentos. Existe uma grande diferença entre os impactos naturais e os impactos da ação humana. Os terremotos e tsunamis chegam, destroem e vão embora. As usinas atômicas, durante anos, emanam, silenciosa e sorrateiramente, radiações que contaminam o solo, o ar e as águas, penetrando nas entranhas dos seres vivos, matando aos poucos e indiscriminadamente, crianças, homens, mulheres e animais.

CHERNOBYL

Os impactos das usinas atômicas de Fukushima e Chernobyl são muito diferentes da força do tsunami que varreu a Tailândia em 2004. Passados seis anos, a Tailândia, apesar do trauma e das perdas, conseguiu reconstruir as áreas devastadas e reorganizar a vida social dos lugares afetados. Chernobyl, ao contrario, virou uma terra fantasma. Até hoje, passados 25 anos, constitui uma ameaça à vida. Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que 5.000 pessoas da região foram diagnosticadas com câncer de tiroide. Além disso, outras 9.000 pessoas apresentaram outros tipos de câncer. Chernobyl também é responsável por graves consequências sociais: a evacuação de 116 mil pessoas nas áreas próximas e outras 230 mil das zonas altamente contaminadas. São 346 mil pessoas que tiveram que abandonar suas casas, suas histórias e suas relações sociais, e ainda suportar, nos seus novos habitats, o estigma de serem chamadas de “contaminadas”.

FUKUSHIMA

Os números da tragédia no Japão são impactantes e dão a exata dimensão das perdas no arquipélago. Porém, a maior ameaça não vem da natureza, mas da usina atômica de Fukushima. Lá, 50 técnicos tentam evitar o derretimento de urânio de reatores danificados pelo terremoto. O temor de contaminação levou os moradores das cidades próximas a buscar refúgio em outras cidades. Entre os 800 funcionários da usina atômica, 750 foram retirados depois da explosão de hidrogênio no reator 2, do incêndio no reator 4 e das explosões nos reatores 1 e 3. Os “50 de Fukushima”, como vêm sendo chamados pela imprensa, trabalham usando roupas especiais, mas não estão livres dos riscos de contaminação. Enquanto 50 vidas tentam esfriar os reatores, o premiê Naoto Kan acusa a Tokyo Eletric Power Co., empresa responsável pela administração da usina. São 50 heróis tentando salvar milhões de vidas e dois poderosos tentando fugir da raia.

MAIS DE 439 USINAS NO MUNDO

Pesquisa do Internacional Atomic Energy Agency, publicada em 2004, mostra que o mundo tinha, em dezembro de 2003, um total de 439 reatores em operação e 31 em construção. Deste montante, 104 estariam localizados nos EUA, 59 na França, 53 no Japão e 30 na Rússia. Na época, estes reatores eram responsáveis por 16% da eletricidade do planeta. Atualmente, a França saltou de 53 para 58 reatores, que respondem por 75% da energia elétrica consumida no país. Na União Europeia, atualmente, existem 147 usinas nucleares operando em 13 dos 27 países do bloco.

IDEIAS ATÔMICAS

O episódio Fukushima despertou reações entre os líderes mundiais. Obama disse que as centrais nucleares do país são monitoradas de perto e aguentam impactos. Na França, o presidente Sarkozy descartou a possibilidade de abandonar a energia nuclear que, segundo ele, é mais barata e menos poluente. Somente na Alemanha, a premiê Angela Merkel decidiu fechar 7 dos seus 17 reatores. Enquanto isso, os “50 de Fukushima” estão sozinhos tentando solucionar um problema que, apesar de conhecerem bem, está fora de controle. Um controle que nenhum dos líderes mundiais pode afirmar ter. Até porque todos eles são líderes de países ameaçados por abalos sísmicos que podem afetar suas usinas num piscar de olhos.

ARROGÂNCIA

Enquanto os líderes mundiais se apressam em colocar panos quentes no problema e reafirmar a importância dos seus projetos nucleares, a humanidade se vê aterrorizada com os perigos da irradiação atômica e seus efeitos nefastos à vida. Hoje, o perigo está no Japão – assim como já esteve em 1945. Em 1986, o pavor aconteceu em Chernobyl. Há 25 anos, ele ocorreu nas ruas de Goiânia, por absoluta falta de prevenção e cuidado das autoridades. Fukushima está nos mostrando que mesmo uma nação madura, organizada e culta não está preparada para enfrentar um vazamento nuclear. A maior ameaça não vem da natureza. Ela vem da arrogância de interesses poderosos e pode contaminar o ar. Não tem cheiro, não tem cor e não tem forma, mas destrói e mata tudo ao seu redor.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE

“Atualmente, mais de 5 milhões de pessoas vivem em zonas contaminadas com material radioativo. Muitas delas sofrem níveis elevados de ansiedade, sintomas físicos muito diferentes e sem explicação médica. Têm também uma saúde mais frágil em comparação com os habitantes de áreas não expostas à radiação”.


3/12/2011

Ser líder é uma questão de decisão!

Uma discussão sempre envolveu a área de desenvolvimento de líderes: eles nascem prontos ou podem ser criados? O termo “nascer pronto” não quer nos remeter a imaginar uma criança de 2 anos de idade liderando um protesto infantil pelos seus direitos e deveres na creche, devido a um lanchinho que não agradou.

Essa expressão enfatiza o que chamamos de talentos, uma aptidão natural que nos possibilita ser bem sucedido em determinada função, mesmo sem conseguir explicar a origem desta facilidade. Refiro-me àquela velha frase: “nossa, esse menino tem uma grande facilidade para desenhar. Como ele aprendeu isso?”

Portanto, um fato é indiscutível: existem pessoas com habilidades inatas para liderar. Mas isso não garante o sucesso como líder. Um talento só é útil quando transformado em competências mercado, ou seja, quando consegue aliar suas habilidades inatas às atitudes e conhecimentos necessários para conquistar resultados na área que almeja.

Habilidades podem e devem ser desenvolvidas

Eis uma ótima notícia! Mesmo que você não possua uma habilidade inata para realizar alguma atividade específica, é possível desenvolvê-la. Talvez você não consiga o mesmo êxito de alguém que possua esse dom natural, mas conseguirá desenvolver-se plenamente com esforço, dedicação e persistência.

Habilidades podem ser desperdiçadas

Não pense que somente porque você possui um talento especial não precisará desenvolver-se continuamente. Uma habilidade, se não aperfeiçoada constantemente, poderá ser desperdiçada e nunca ser utilizada com maestria.

Liderança não tem contraindicação

Independentemente da sua área de atuação, um ponto é indiscutível: você deve ser um líder! Não se restrinja ao conceito de liderar pessoas – uma das habilidades fundamentais da liderança. É importante também a capacidade de engajamento. Liderar é desfrutar de uma inquietação produtiva, é querer sempre mais!

A construção de um líder

Vimos que talento é importante, mas não é tudo. Vimos que mesmo que você não possua habilidades inatas para liderar, pode desenvolvê-las. Compreendido isso, podemos retomar o título deste artigo: Ser líder é uma questão de decisão!

Quer realmente tornar-se um líder? Então:

Decida entender e gostar de gente - Independentemente da sua profissão, tudo se resume ao ser humano e você precisará conhecê-lo, de fato, para prosperar em qualquer cenário do mundo corporativo. Invista em relacionamento!

Decida ser ambicioso – Liderar sem ambição é como ser um centroavante que não se importa em fazer gols. A principal missão de um líder é construir e engajar as pessoas em prol dos resultados. Um líder sem ambição constrói equipes mornas, sem ambição. Mas lembre-se: ambição é diferente de ganância.

Decida comunicar-se com maestria – A comunicação se faz presente a todo o momento, principalmente no externar dos nossos comportamentos. Um profissional que tem como um ponto forte a capacidade de comunicação consegue usar o poder da linguagem para potencializar o seu time em busca dos resultados organizacionais.

Decida ser multicultural – Um líder precisa dominar uma área de conhecimento, sem alienar-se das demais. Estar conectado, atento e, principalmente, preparar-se para as diversas áreas do conhecimento. E tão importante quanto o conhecimento técnico e comportamental é o investimento em cultura, em conhecimento não-perecível.

Decida se inovador – Na era da competitividade, o que vale é a inovação. E não estou me referindo a grandes inovações, mas, sim, na maneira criativa de como você pode fazer a mesma coisa de diversas formas, encantando e surpreendendo as pessoas ao seu redor.

Decida pensar estrategicamente – Um líder precisa ter uma capacidade incrível de tomada de decisão. Ninguém confiará um líder que fica “em cima do muro”. Pensar estrategicamente é pensar a longo prazo, concretizando ações que tragam resultados sustentáveis. Pensar estrategicamente é buscar novas fontes de informação para estar preparado às constantes mudanças do mundo corporativo.

Decida ser congruente – Liderar é uma questão de confiança. Confiança é uma questão de congruência. Como confiar em alguém incongruente, que tem comportamentos completamente diferentes de suas intenções? Liderar pelo exemplo é uma atitude fundamental para conquistar naturalmente o respeito e comprometimento de seus seguidores.

Por fim, decida ser líder e garanta a sua sustentabilidade no mundo corporativo.


*Alexandre Prates é especialista em liderança, desenvolvimento humano e performance organizacional.

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      3/09/2011

      Aquele que tem apenas passado, mas nenhum futuro,

      A fogueira das vaidades, que arde nos corações daqueles que se acham donos do universo, está longe de ser extinta pelo bom senso das pessoas de bem. As personalidades afeitas ao narcisismo, à soberba e ao preconceito, pela reputação que adquirem, alimentada pela mídia e pelo sucesso que conquistaram, tendem a se considerar seres humanos muito superiores à imensa multidão de anônimos de todo o mundo. Estes, por sua vez, acompanham sempre o exagero das celebridades, para quem não existem limites. É claro que um basta a este tipo de comportamento existe, e um exemplo disso foi produzido na terça-feira passada, quando o estilista britânico John Galliano, de 50 anos, que se estava no topo do sucesso em sua carreira, escorregou e viu o seu mundo ruir de forma irreparável. O jornal francês “Le Monde” divulgou que a grife Christian Dior, uma das mais respeitadas do mundo, demitiu no dia 1º de março o estilista John Galliano, por causa das suas “declarações e condutas profundamente ofensivas”. (veja vídeo)

      Do alto da sua posição de diretor criativo da maison desde 1996, Galliano caiu ao revelar o seu lado antissemita. O estilista foi acusado de racismo ao proferir vários insultos a um grupo no café “La Perle”, em Paris, fato atestado por um vídeo, gravado no fim de 2010. Sua posição na Christian Dior se tornou insustentável depois que a grife tomou conhecimento das imagens. No vídeo, Galliano declarou, embriagado: “Eu amo Hitler!”, uma frase obviamente infeliz. Dirigindo-se a várias pessoas, Galliano ainda vociferou: “pessoas como vocês estariam mortas hoje [se dependesse dele]. Suas mães, seus antepassados teriam sido mortos pelo gás”.

      Galliano cometeu um “suicídio” pessoal e profissional. Uma prova disso foi a declaração da atriz Natalie Portman, um dia depois de receber o Oscar por sua atuação em “Cine Negro”. A atriz, que é estrela de um perfume da Christian Dior, além de judia israelense, foi contundente: “Estou completamente chocada e enojada com o vídeo de John Galliano que veio à tona hoje. Tenho orgulho de ser judia e não quero ser associada a ele de jeito nenhum. Eu espero que esses comentários nos levem a refletir e agir para combater esses preconceitos, que vão contra tudo o que é belo”. Constrangida, a grife comunicou na terça-feira que o estilista já estava em processo de demissão,. Foi a gota que faltava para John Galliano sugar a sua dose de cicuta diante do mundo inteiro. O estilista, daqui por diante, terá de começar a leitura dos jornais pelo caderno de classificados, para procurar um improvável emprego, porque dificilmente o conseguirá.

      Já que, para a Dior, John Galliano é um morto-vivo, aquele que tem apenas passado, mas nenhum futuro, o que falará dele será uma autópsia midiática. De origem humilde, filho de um encanador inglês com uma espanhola, Galliano nasceu em Gibraltar, em 1960, formado pela concorrida “Saint Martin’s School of Art”, de Londres, de onde saíram estilistas como Alexander McQueen e Stella McCartney. Na quarta-feira, os amigos de Galliano agiram para interná-lo em uma clínica de reabilitação para viciados em álcool e drogas, mas, pelo jeito, a mídia já considera a sua morte profissional, como o “Le Monde”, que publica uma retrospectiva dos trabalhos do estilista.

      Ou seja, sua história nos jornais é hoje uma versão surrealista de quem foi sem nunca ter sido, o obituário de um estilista vivo.

      3/04/2011

      Ninguém põe o guiso no gato



      Já tinham discutido na véspera e mais conversavam sobre a necessidade de uma demonstração de inconformismo. Foi quando um deles encerrou as lamentações com uma pergunta: “e quem vai colocar o guiso no gato?”.

      Ninguém se apresentou. Logo depois, foram introduzidos no gabinete presidencial, congratulando-se todos, senão com o gato, ao menos com a chefe do governo. Faltou coragem, apesar da simpatia distribuída aos montes pela presidente da República, ao exaltar a lealdade das bancadas dos partidos que a apoiam, no caso pela votação do projeto do salário mínimo.

      Terça-feira, pouco antes das 11h da manhã, foram chegando à ante-sala da presidente Dilma os líderes dos partidos da base oficial. Senão revolta, havia insatisfação entre eles, por conta do corte de R$ 18 bilhões nas emendas individuais ao orçamento. Já tinham discutido na véspera e mais conversavam sobre a necessidade de uma demonstração de inconformismo. Foi quando um deles encerrou as lamentações com uma pergunta: “e quem vai colocar o guiso no gato?”.

      Ninguém se apresentou. Logo depois, foram introduzidos no gabinete presidencial, congratulando-se todos, senão com o gato, ao menos com a chefe do governo. Faltou coragem, apesar da simpatia distribuída aos montes pela presidente da República, ao exaltar a lealdade das bancadas dos partidos que a apoiam, no caso pela votação do projeto do salário mínimo. Faltou apenas o líder do PDT na Câmara, propositadamente não convidado, única voz que na semana passada insurgiu-se contra os baixos índices de reajuste para o salário mínimo.

      É assim que as coisas funcionam, quando se trata do relacionamento entre Executivo e Legislativo. Ainda mais no governo do gato. Os poderes são harmônicos e independentes, preceitua a Constituição, mas faltou ao constituinte de 1988 imaginação para acrescentar que funcionam sob a égide da caneta presidencial.

      Qualquer reclamação ostensiva diante dos cortes orçamentários poderia despertar consequências ainda piores para a classe político-parlamentar. Afinal, ainda sobraram R$ 2 bilhões para atender às emendas individuais. Alguns líderes poderão ser aquinhoados.


      3/01/2011

      A volta do Voto impresso

      A partir do ano de 2014, na contramão do processo crescente e globalizado da informatização, haverá o ressurgimento do voto impresso, nos termos do que diz a Lei 12.034, publicada em 29 de setembro de 2009, em seu artigo 5º, que alterou o Código Eleitoral, a Lei dos Partidos Políticos e a Lei das Eleições.

      Diz o referido artigo 5º da Lei 12.034 que, após haver a confirmação final do voto pelo eleitor, a urna eletrônica imprimirá um número único de identificação do voto associado à assinatura digital, o qual deverá ser depositado em local previamente lacrado. Vale dizer: realizada a escolha dos respectivos representantes pelo eleitor, por meio do voto digital, restará impresso um número que identificará o voto e o eleitor, o qual deverá ser colocado em local indicado.

      Embora date de 2009, poucas foram as manifestações de oposição acerca dessa norma, em especial o dispositivo invocado, que, sob minha ótica, além de afrontar o princípio constitucional do voto secreto (art. 14, CF), representa um enorme retrocesso no processo eletrônico eleitoral. Observe-se que o registro digital do voto foi introduzido em substituição ao voto impresso, em 2003, com a Lei 10.740, afastando ou reduzindo as dificuldades então existentes, como o alto custo de implementação, o retardo no processo de carga dos programas e a demora na apuração dos respectivos votos.

      Com a implementação do voto impresso, identificando o voto e seu eleitor, deixará de existir o necessário sigilo do voto, com consequências muito graves. A Procuradoria-Geral da República – instada pelo Colégio de Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais do país e legitimada na forma do que prevê o artigo 103 da Constituição Federal – ajuizou Ação Direta de Inconstitucionalidade contra o artigo 5º da Lei 12.034/2009, sob fundamento de que “a garantia da inviolabilidade do eleitor pressupõe a impossibilidade de existir, no exercício do voto, qualquer forma de identificação pessoal, a fim de que seja assegurada a liberdade de manifestação, evitando-se qualquer tipo de coação”.

      No processo, em que o advogado-geral da União defenderá o texto legal impugnado em tese, nos termos do que prevê o artigo 102, “I”, “a”, da Constituição Federal, cumpre ao órgão guardião desta, oportunamente, manifestar-se quanto à inconstitucionalidade invocada.

      A meu ver, não remanescem dúvidas quanto ao futuro desse dispositivo legal, a ser delineado pelo órgão máximo do Poder Judiciário, o Supremo Tribunal Federal, que hoje se encontra com sua composição plena, ante a recente indicação de seu décimo primeiro ministro, Luiz Fux. Creio que se impõe a recusa a esse retorno ao voto impresso, assim como a inúmeras outras tentativas de afronta ao direito do eleitor à votação secreta.

      2/17/2011






      Por: Marcone Formiga

      Em 1820, o Brasil começou a defender as ideias liberais e republicanas, com o apoio dos jornais e panfletos que circulavam em Portugal e por aqui, em pleno governo de D. Pedro I, que resolveu impedir sua circulação, mas perdeu tempo com essa iniciativa. Uma crise política acarretou o fim do Primeiro Reinado, que estimulou ainda mais a divulgação dos ideais, abrindo um caminho que, futuramente, seria decisivo para o respeito aos direitos políticos da mulher. Com isso, elas passariam a ter o direito de votar e também de ser eleitas. Tal mudança de mentalidade só foi propiciada após um longo e acidentado percurso depois da implantação da República.

      O voto feminino só foi legalizado após a promulgação do Código Eleitoral Provisório, em 24 de fevereiro de 1932, que permitia que apenas mulheres casadas, com autorização dos respectivos maridos, poderiam ter esse direito, estendido também às viúvas e solteiras com renda própria. No dia três de maio de 1933, a médica paulista Carlota Pereira Queiroz entrou para a história como a primeira mulher a votar e ser eleita deputada federal, participando ainda da Assembleia Nacional Constituinte, entre 1934 e 1935. Depois dela, em 1979, a suplente Eunice Michiles (PDS-AM) substituiu o senador João Bosco de Lima, que faleceu no decorrer do mandato. Roseana Sarney (PFL-MA), em 1994, foi a primeira senadora eleita no país.

      Hoje, nada menos do que 12 senadoras estão ocupando lugares no Senado Federal. O avanço das mulheres que conquistaram seu espaço no Congresso Nacional, nas duas Casas legislativas, pode ser refletido na eleição da presidente Dilma Rousseff (PT), a primeira no comando do Palácio do Planalto.

      A jornalista e hoje senadora Ana Amélia Lemos (PP), gaúcha de Lagoa Vermelha (RS), consagrada no seu estado e no país inteiro, conquistou o seu primeiro mandato e comenta nesta entrevista, concedida a Brasília Em Dia, que ela defende cada vez mais a participação feminina na vida pública brasileira.

      Com tanta presença das mulheres, o Clube do Bolinha foi implodido. Depois de tanto insistirem que “meninas não entram” em um espaço tradicional e historicamente reservado aos homens, eles agora presenciam a força feminina se estabelecendo no poder e fundando o Clube da Luluzinha em Brasília.

      - Uma garota que, aos nove anos de idade, andava descalça no frio para entregar leite na vizinhança hoje é senadora da República. Como foi essa trajetória?

      - A minha história é a mesma de milhares de gaúchos e brasileiros que, não tendo nascido em berço de ouro, tiveram que lutar pela sobrevivência e por seu espaço na vida. A minha trajetória me orgulha muito, porque observo que as pessoas reconhecem neste processo uma pessoa que tem coragem, que enfrenta desafios e que faz as coisas que devem ser feitas. É claro que muitas vezes errei, mas eu sempre prefiro errar por ter feito a errar por não ter feito.

      - Mas aos nove anos...

      - Ao longo da minha vida foi assim. Aos nove anos, um detalhe talvez mais interessante seja o fato não só de entregar leite na vizinhança, de pés descalços nos dias frios, porque não tinha calçado para usar, mas um fato que ocorreu nesta mesma época, em um dia de julho de 1954. Nessa data, uma senhora chegou até Lagoa Vermelha, o povoado onde eu morava, e eu fiquei impressionada com ela. Nunca tinha visto uma senhora tão elegante, tão bem vestida. Meu cabelo era completamente loiro, por minha origem italiana. Ela perguntou o meu nome e eu lhe disse: “Meu nome é Ana Amélia”. Então, ela me indagou: “Você não quer morar comigo, para estudar e ser minha dama de companhia?”.

      - Decidiu pensar para responder?

      - Eu lhe respondi: “Quero sim!”. Depois, eu lhe falei: “A senhora vai até aquela casa lá da vila, na ponta, e fale com meu pai, minha mãe e meu avô que eu vou morar com a senhora”. Meu avô era ferreiro. Eu só tinha nove anos de idade e não havia começado a estudar, ainda. Essa decisão é uma coisa que estava escrita, porque na vida você tem que fazer as coisas. E eu me impressiono hoje, porque eu faço, vou fazendo e, depois, eu olho - estou sentada aqui no Senado e penso: “Como eu cheguei até aqui?”.

      - Como a senhora vê tudo isso?

      - De vez em quando, a ficha não cai ou cai e eu fico assustada, porque é um desafio muito grande. Neste particular, acho que a vida da gente sempre te questiona a tua capacidade de decidir. E, assim, eu fui morar com ela durante quatro anos, exatamente no ano do suicídio de Getulio Vargas, 1954. Porto Alegre estava sob o impacto daquele grande tumulto. E eu, sem entender muito o que estava acontecendo, via o desespero, mas não entendia... Dona Rosita, que é como se chamava essa senhora, me deu um tratamento de filha. Estudei em um colégio público, um grupo escolar da época que ficava perto do edifício onde ela morava e que na oportunidade se tornava também meu lar. Ficávamos no último andar de um edifício de oito andares, com elevador, eu nem poderia imaginar antes o que era. Duas semanas depois, eu já tinha me aclimatado, porque parecia que eu sempre tinha morado lá. O prédio ficava na Avenida Independência, que na época era a mais movimentada, a mais charmosa de Porto Alegre, tendo vindo eu da minha vila, que não tinha energia elétrica, calçamento, que mais parecia um daqueles povoados de faroeste, onde os cavalos ficavam amarrados em um travessão, era exatamente aquilo. Já em Porto Alegre, conheci os bondes e toda a vida dinâmica da cidade grande.

      - Como era dona Rosita?

      - Muito generosa! Estudei em dois colégios públicos. Ela tinha uma casa em Torres, e foi assim que fui conhecer a praia. Havia ainda um ambiente de convivência de amigos dela, que eram pessoas de classe média alta de Porto Alegre e de Cachoeira do Sul. Mas, aí, já com 12, 13 anos, fiquei com complexo: minha família vivia no interior, com as maiores dificuldades, e eu desfrutando daquela condição de vida melhor. Então, resolvi voltar para Lagoa Vermelha, e foi bem numa época de transição, porque eu estava concluindo o curso primário e fiquei naquele dilema. Só havia uma escola para eu continuar os estudos, e eu já achava, naquela época, que o grande patrimônio com o qual eu poderia contar era a educação... Sempre! Fiquei em dúvida, porque minha família não tinha condições. Sou a mais velha de nove filhos. Então, me surgiu uma ideia, porque eu ouvia sempre às sextas-feiras o Leonel Brizola falar na Rádio Farroupilha, e ele falava muito em educação. Minha família era do PL, Partido Libertador, mas eu não tinha a mínima ideia do que era aquilo, nada. Só sabia que eu tinha que estudar.

      - E então? O que aconteceu?

      - Em 1959, o Brizola candidatou-se a governador do Rio Grande e venceu as eleições, e eu mandei uma carta para ele, sem minha família saber. Arranquei uma folha do meio do caderno, porque não havia espiral na época, e escrevi para ele, contando que tinha 12 anos, que era filha de família pobre e que eu queria uma bolsa interna para o ginásio Rainha da Paz, que era a única escola em que eu podia estudar na época, particular, para o meu nível. Não havia mais outra escola pública em Lagoa Vermelha para mim.

      - Ele respondeu a carta?

      - Para a minha surpresa, dois meses depois, recebi uma carta, que me informava sobre a concessão da bolsa de estudos interna para o ginásio. A minha família morando lá, perto de mim, mas mesmo assim eu fui para o internato. Fiquei oito anos interna nesse colégio. Foi maravilhoso! Fiz o ginásio e o curso normal. Então, devo ao Brizola essa “segunda mão” que eu recebi. A primeira foi a da dona Rosita. Assim, eu consegui fazer todo esse meu segundo estágio da escolaridade com bom desempenho. Quando terminei, eu achava que queria fazer serviço social.

      - Por quê?

      - Eu achava que eu era muito envolvida com as questões sociais, porque ajudava as irmãs, nós participávamos de grupos de ajuda, de apoio. Nesse meio tempo, eu tinha conseguido um trabalho: as irmãs permitiram que eu saísse do trabalho de noite e voltasse para trabalhar em um ginásio que havia sido aberto em Lagoa Vermelha, que ficava bem em frente à escola onde eu estudava. Eu ia à noite para ser auxiliar de disciplina, porque consegui esse emprego, e eu pedi transferência desse trabalho para Porto Alegre, para poder fazer faculdade. As irmãs me concederam isso e eu fui.

      - Foi morar só?

      - Eu me instalei em uma pensão, fiz o vestibular, só que para serviço social era exigido o teste psicológico, que era eliminatório. Fui reprovada no exame, que era um teste de avaliação subjetiva. Fiquei muito frustrada com aquilo, mas não a ponto de me abater para desistir de tudo. Pelo contrário: o que eu poderia fazer que tinha afinidade com isso? Direito, justiça. Mas Direito tinha latim, que eu não dominava muito. Pensei, então, em fazer Comunicação Social. Aí, fiz, passei bem, consegui uma bolsa de estudos da Assembleia Legislativa e, assim, fiz o curso de Jornalismo na PUC. E não parei de trabalhar...

      - O jornalismo é uma escola para a política?

      - É irmão siamês, porque a liberdade de expressão é tudo... Na verdade, o meu contato via mídia com a população do meu estado evidentemente facilitou muito o meu projeto político, porque eu estava sendo muito conhecida, todos os dias, nos horários nobres da televisão no Rio Grande do Sul, aparecendo no vídeo na emissora de maior audiência. Estava também nos horários nobres do rádio e tinha uma coluna no jornal. Aí, o eleitor deve ter pensado que eu tenha sido, ao longo de 33 anos na mesma empresa, e 31 vivendo em Brasília, uma espécie de advogada das causas do Rio Grande em Brasília. Costumo dizer que eu colhi na política o que eu plantei na comunicação.

      - Antes, a política era uma espécie de “Clube do Bolinha”, onde mulher não entrava. Hoje, temos até presidente mulher, ministras e senadoras. Como a senhora vê isso?

      - Eu já te dou exemplo até no próprio jornalismo. Eu, quando cheguei aqui em 1979, a maior parte dos profissionais na área da cobertura política e da economia era composta por homens. Quando eu fiz a faculdade, em Porto Alegre, 90% eram homens. Hoje, é o inverso. E a mesma coisa é na cobertura política e na econômica: os grandes colunistas do Brasil são mulheres! Não é só na política: a mulher no Brasil me parece que despertou para o seu talento e para sua capacidade. Ela deixou de achar que a independência era o casamento, pelo contrário. A mulher só é independente quando pode dispor do seu salário e do seu trabalho. Essa é a hora em que ela se torna independente. No mais, ela não é subordinada à família ou ao marido.

      - Mas a senhora fala sobre qual segmento social?

      - Estou falando da média da sociedade brasileira. Fico muito feliz, como mulher, de a Dilma ter assumido, e até este momento eu tenho ouvido muitas referências boas sobre ela. Inclusive, o Nelson Motta, do Jornal “O Globo”, fez um comentário muito interessante na semana passada, que dizia: “que bom que temos uma presidente que é discreta, que fala na hora certa, diz as coisas que a gente gostaria de ouvir, tem seriedade, uma conduta exemplar”. Isso me deixa muito feliz, no sentido de que o Brasil está sendo conduzido pelas mãos de uma mulher competente, habilitada, séria, discreta. Ela está fazendo bem o seu papel. E o ministério da presidente Dilma está sendo também valorizado com mulheres de muita competência, muita seriedade, e dá uma envergadura de grande valorização de gênero para as mulheres. No próprio Senado, somos 12 senadoras mulheres, e é até um número interessante.

      - O que diferencia o Lula da presidente Dilma?

      - O presidente Lula tinha aquela vocação sindical, o assembleísmo, a questão política, que ele desenvolveu com grande talento, mas às vezes escorregava pela incontinência verbal... Quem fala demais às vezes dá bom dia a cavalo, ditado que se diz muito no Sul. A presidente Dilma mede o que fala. As duas mensagens que ela apresentou no dia de sua posse foram extremamente adequadas e profundas.

      - Mas muita gente vê um contraponto entre a presidente Dilma e o seu antecessor. Como a senhora vê Dilma? Ela tem um estilo oposto?

      - Quando ela veio ao Congresso Nacional para ler a mensagem que marca o início da legislatura, Dilma foi muito aplaudida, com uma compostura e um desempenho bem elogiados por senadores e deputados. Descontraída, até fez brincadeira, porque quando ela fez referência à necessidade da reforma política, a plateia que estava ali superlotando o plenário aplaudiu, e aí ela disse que iria repetir, para ser aplaudida de novo. Sorriu e fez uma brincadeira absolutamente adequada ao ambiente. Ela soube pragmaticamente tirar proveito daquilo, e logo na Casa onde está querendo que haja a reforma política.

      - Sim, mas qual é a diferença dela em relação ao estilo Lula de ser?

      - Em relação ao Lula, a diferença é esta: ela é uma gestora de qualidade, com os compromissos políticos que ela assumiu na campanha e com a desenvoltura que ela aprendeu a desempenhar ao longo de sua trajetória política e nos palanques. Ela se completou neste exercício, e eu acho que, na convivência com o Lula, a presidente aproveitou muito as lições que teve com o professor, as coisas boas que o Lula aprendeu, digamos assim, deixou de lado os excessos que o Lula cometeu.

      - Por exemplo.

      - Um deles foi a atitude que Lula teve em relação a José Serra no episódio da agressão que ele sofreu no Rio de Janeiro. A forma como ele, um presidente da República, um estadista, agiu em relação a um adversário político foi desrespeitosa tanto com os eleitores do Serra quanto com a população brasileira, que é ordeira, harmoniosa e respeita os adversários políticos.

      - Lula extrapolou?

      - Ele perdeu a compostura necessária a um chefe de Estado, um líder, com uma popularidade de mais de 80%, naquele cenário político brasileiro. Mas, convenhamos, o Lula teve grandes qualidades, pela história dele, um operário chegar aonde ele chegou, oito anos de mandato... Digamos que ele realizou o sonho brasileiro de um operário chegar à Presidência da Republica, e toda a classe operária gostou disso.

      - Fez tudo certinho?

      - Não. Algumas políticas públicas implementadas por ele precisam de correções, como a própria presidente está fazendo agora. Temos que avaliar a inclusão real das pessoas que hoje estão no Bolsa Família, que não podem depender eternamente desse benefício, porque elas têm que receber esse apoio, mas devem ter, sobretudo, o direito à inclusão social, com emprego, qualificação e capacitação. Em muitos setores da economia brasileira, qual é a reclamação? Falta mão de obra qualificada. É por aí que o tema tem que ser trabalhado. Deve-se evitar que essa política se torne um ganho que acabe prejudicando por não permitir que o beneficiado tenha a sua verdadeira inclusão social.

      - Qual é o seu conceito sobre Lula?

      - Ele não é um fenômeno! O sucesso de Lula é creditado ao seu talento e à sua capacidade. Mas ele exagerou na dose, naquela ansiedade de falar na brincadeira, porque acho que só ele poderia ter feito as coisas que fez. Ou seja, ele deu uma contribuição muito grande ao país, mas deixou muito por fazer, e aí eu acho que a gente tem que cobrar. Ele tinha condições de fazer alterações na legislação eleitoral, até porque tinha maioria no Congresso Nacional. Acho que não dá mais para ficar esperando a reforma política, a questão da própria reforma tributária...

      - O que a senhora lamenta nesse sentido?

      - É justo que hoje a União fique com 70% de tudo o que é arrecadado, sendo que os estados e municípios ficam com 30%? Quando falo dos municípios, falo dos bons gestores, e não dos que cometem irregularidades, crimes, coisas condenáveis, mas daqueles que desempenham corretamente a sua função. O prefeito hoje tem o controle do Ministério Público, exemplo do meu estado, onde os próprios moradores dos municípios, depois de denúncias, tiraram mandatos das câmaras de vereadores... Quem tem um controle sobre a atividade do prefeito, sabe onde ele mora, vai lá, bate na porta e exige, funcionando como um controle direto. E quando tudo é aplicado pela prefeitura, o retorno é muito maior para o morador do município.

      - E quanto à União?

      - Já a União é um ente distante, e as coisas lá são muito demoradas, com muita frequência surgem denúncias sobre isso, mas nas prefeituras, comparativamente ao que é feito, existem as ouvidorias, que fazem aquele sorteio, ou seja, o município é fiscalizado duplamente. Pelas ouvidorias, pelo Ministério Público, nos estados onde eles são eficientes, como no Rio Grande do Sul, o controle é muito maior. No Sul, existe um departamento que cuida especificamente das administrações municipais, os Tribunais de Conta dos estados são ótimos e fiscalizam junto com a população, que atua diretamente...

      - O que se deveria fazer?

      - Penso que distribuir melhor essa partilha seria uma atitude correta do ponto de vista institucional, social e político. A federação que nós temos hoje é um arremedo de Estado; em português bem claro, é uma federação capenga. A cada ano vem a Marcha dos Prefeitos, que estão de pires na mão a peregrinar pelos gabinetes... O que resulta é distorção em cima de distorção. E acontece que o Congresso, que deveria trabalhar, fica cuidando das emendas ao orçamento, polido pelas medidas provisórias, e assim a gente acaba fazendo um varejo de atendimento das demandas da população.

      - O Brasil está melhor hoje do que há 10 anos atrás?

      - Está melhor, sim, porque nós estamos com uma democracia mais consolidada, como se vê hoje aqui no Congresso Nacional. Um exemplo é o ex-presidente Fernando Collor, afastado pelo impeachment, que se relaciona muito bem hoje com o senador Lindberg Farias, líder da UNE na época, entidade que fez pressão popular para o afastamento de Collor do governo. O senador Fernando Collor chegou ao Congresso consagrado pelas urnas e está aqui com a legitimidade de um mandato embasado na vontade dos eleitores. Eu não questiono de que forma foi esse resultado. Temos que respeitar isso. O clima do país está diferente, até porque nós somos diferentes do que éramos há 10 anos. Nós amadurecemos, não criamos rugas impunemente. A gente piora na vitalidade física, mas ela melhora do ponto de vista da sua tolerância, da sua compreensão e paciência, em termos da própria relação com as pessoas e com tudo o mais.

      - A corrupção continua uma praga no país...

      - [Responde de pronto] A corrupção permanece assim porque a impunidade continua como um fermento que a alimenta e que a faz crescer. As denúncias de corrupção não têm consequências, porque os envolvidos ficam ricos e têm recursos para procrastinar a justiça. No caso da previdência social, aquilo tudo que a Jorgina de Freitas [ex-advogada e procuradora previdenciária condenada, em 1992, por desviar aproximadamente 310 milhões do INSS, dos quais apenas 82 milhões foram reavidos] roubou dos cofres públicos voltou para o erário?

      - A corrupção no Brasil compensa, então?

      - Sim, sem dúvida... É compensadora porque não tem punição, penalidade. Agora mesmo, R$ 500 milhões foram desviados da Funasa. Quem é que dá resposta para isso? Sabendo-se que as pessoas não têm hospitais nem leitos para internação, nessas coisas todas é que os órgãos estão falhando enormemente. O Poder Judiciário continua lento demais, o Tribunal de Contas tem atuado quando é mais provocado pela imprensa, quando a imprensa denuncia.

      - Por que essas coisas não acontecem?

      - O governo tem que implantar uma ouvidoria, mas quais são as consequências para os envolvidos quando as autoridades descobrem que está havendo alguma falcatrua? É muito necessário e urgente que as instituições assumam isso, pois não adianta discurso bonito, porque a população já está saturada disso. Noutro dia, um colega da imprensa me perguntou se, como jornalista, eu iria fiscalizar os senadores. Eu lhe respondi que não, porque tenho um mandato, que é definido em um artigo da Constituição, juntamente com minhas competências, com o que eu tenho de fazer. Aqui, eu não sou jornalista, sou senadora. Preciso cumprir a Constituição, e eu a respeito.

      - O que a senhora poderá fazer como senadora para que garotas de nove anos não trabalhem descalças no frio?

      - Repetiria tudo de novo. Andar de pés descalços não me fez nenhum mal. Aos nove anos, eu criava os meus brinquedos, porque minha família não tinha dinheiro. Pegava sabugo de milho e fazia chaleira, fazia cuia, porque isso é o hábito gaúcho. Das latas, fazia panelinhas... Fazia bonecas de pano com cabelos de pelego, que é a pele do cordeiro, ou com aquela barba do milho. Éramos criativos. Tenho saudades daquela época... Hoje, as crianças não têm isso, porque os brinquedos vêm todos prontos. Atualmente, a inteligência das crianças é diferente, é virtual, movida pelo computador. Elas têm uma agilidade diferente do que a gente tinha, mas acho que era muito mais humanizada a relação naquela época do que agora.

      - Qual é a lição que fica?

      - Tudo o que passei, os tapas que levei, nada disso me deixou qualquer sequela. Um dia, fui comprar farinha para fazer polenta e caí dentro de um buraco. Acabaram me puxando pela orelha, não por eu ter caído, mas por não ter cuidado devidamente da farinha. Isso ficou no meu inconsciente, uma coisa pitoresca da minha história, que também não me deixou nenhuma mágoa.